Hiroshima: A mais importante reportagem do século XX
- Isabelle Taranha

- 16 de jul. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 15 de ago. de 2023
Resenha feita em 25/11/2018
A obra, intitulada como Hiroshima, foi inicialmente publicada na edição especial da revista The New Yorker, uma das mais importantes dos Estados Unidos, em 31 de agosto de 1946. Posteriormente, foi adaptada em formato de livro – no Brasil, um de seus lançamentos ocorreu em 2002, pela editora Companhia das Letras.
Escrito por John Hersey e traduzido pela paulistana Hildegard Feist, o livro possui 172 páginas, envolvendo cinco capítulos e um posfácio, realizado pelo jornalista brasileiro Matinas Suzuki Jr, que conta um pouco sobre a realização da obra e o trabalho de Hersey.
John Richard Hersey nasceu em 1914 na China e morreu em 1993 na Flórida. Estudou nas universidades de Cambridge e Yale, foi colaborador da The New Yorker e trabalhou como correspondente internacional das revistas Time e Life. Em 1945 recebeu o prêmio Pulitzer pelo romance A Bell for Adano, publicado no ano anterior, entretanto, foi Hiroshima que o tornou popularmente conhecido. Vale ressaltar que o jornalista é considerado percursor do Novo Jornalismo, gênero que emprega recursos literários em textos de reportagens.
O livro conta como foi a explosão da bomba atômica em Hiroshima (6 de agosto de 1945) a partir da perspectiva de seis sobreviventes: Toshiko Sasaki, Masakazu Fuijii, Hatsuyo Nakamura, Wilhelm Kleinsorge, Terufumi Sasaki e Kiyoshi Tanimoto. O objetivo do autor foi descrever as consequências do ataque na vida de cada um dos personagens, priorizando o modo como impactou e destruiu não só a cidade, mas a sociedade como um todo, além de apresentar como essas seis pessoas seguiram com suas vidas depois do ocorrido.

Antes x Depois
No primeiro capítulo, denominado Um clarão silencioso, Hersey fala um pouco sobre cada personagem e conta o que fizeram antes de serem surpreendidos pela bomba; no segundo, O fogo, ele apresenta os efeitos imediatos da explosão, como incêndios e ruínas; o terceiro, Investigam-se os detalhes, mostra o processo de normalização da tragédia e a tentativa das vítimas de entenderem qual tecnologia foi usada para atacá-los; no quarto, Flores sobre ruínas, o autor discorre sobre a radiação causada e efeitos da radio-intoxicação; já o último capítulo, Depois da catástrofe, ocorre o encerramento da narrativa, onde John Hersey revela o desfecho da vida de cada personagem 40 anos depois.
Hiroshima é cheio de detalhes. Ele nos aproxima da realidade das diversas vítimas da bomba, sem poupar a agonia que passaram e, de certa forma, é impactante e um pouco perturbador. Para retratar tal assunto, o autor não utiliza o eufemismo; opta por contar a história através de sua essência, como de fato foi, sem suavizar a tragédia e seu desencadeamento.
O relato dos seis sobreviventes é a linha condutora da história, contada por meio de uma perspectiva humanizada e subjetiva, que valoriza os personagens e o contexto em que estão inseridos. Eles são bem explorados por John Hersey, que traz uma rica bagagem factual unida com o sentimento da sociedade abalada. Todavia, a leitura pode se tornar confusa com a quantidade de pessoas que aparecem, não só os seis principais, mas outros que também entram na história devido relatos dos entrevistados.

O modo em que escreve Hiroshima é como se tivesse acompanhado os sobreviventes, observando-os o tempo todo, desde breves momentos antes do ataque até anos depois, de tão rica que foi sua apuração para a realização dessa reportagem.
Escrito em terceira pessoa e de forma imparcial, a narrativa possui uma linguagem simples e fluída, tornando a leitura agradável e rápida. Poucos adjetivos são usados, mas isso não causa a falta de sensações. O livro possibilita a imersão do leitor a partir das descrições bem feitas e aprofundadas, que não resultam em rebuscamento e nem cansaço na leitura.
Hiroshima é a prova de que ninguém faz grande jornalismo sozinho. A realização da reportagem contou com a ajuda de Harold Ross e William Shawn, editores da The New Yorker.
A obra de Hersey é fundamental para tomarmos melhor conhecimento sobre o que foram as bombas em Hiroshima e Nagasaki a partir do olhar de quem estava lá. A leitura nos promove uma série de reflexões sobre o que está em jogo em uma guerra e como a vida das pessoas pode tomar um rumo drástico em segundos.


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