The Fosters prova estar além do nosso tempo
- Isabelle Taranha

- 16 de jul. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 10 de ago. de 2023
Resenha feita em 06/11/2019
Representatividade é a essência da produção

Criada pelo roteirista Bradley Bredeweg e pelo ator Peter Paige, The Fosters conta com a cantora Jennifer Lopez como produtora executiva da série, que estreou em 2013 e foi finalizada em 2018 - totalizando cinco temporadas e 104 episódios transmitidos pelo canal americano Freeform (antiga ABC Family). No Brasil, a produção foi exibida pela Sony e ficou disponível no catálogo da Netflix até outubro de 2018.
A trama gira em torno de uma família formada por duas mães, Lena (Sherri Saum) e Stef (Teri Polo). Juntas, elas criam Brandon (David Lambert), filho biológico de Stef com seu ex-marido e colega de trabalho, Mike (Danny Nucci) e adotam os gêmeos latinos Mariana e Jesus (Cierra Ramirez, Jake T. Austin e Noah Centineo), quando pequenos. Contudo, as mães ainda acolhem os irmãos Callie (Maia Mitchell) e Jude (Hayden Byerly), que sofrem com o sistema de adoção repetidas vezes.
A série investe em temas polêmicos, considerados tabu. Ela faz críticas ao sistema de adoção, enfatiza a importância da família – visto que logo na música de abertura é mencionado que família “não é de onde você vem, é de onde você pertence”, gerando a discussão de que pais não são necessariamente aqueles que geram, mas sim aqueles que criam –, aborda como o preconceito está enraizado em nossa sociedade, envolve as temáticas de aborto, imigração, uso de drogas, prostituição, estupro, câncer, sexualidade, etnias, violência, além de outros diversos conteúdos presentes nos episódios.
The Fosters cumpre sua missão social a partir do momento em que faz os espectadores pararem para refletirem sobre os assuntos vistos como polêmicos em nossa sociedade. A produção prova estar além do nosso tempo pela naturalidade em que o roteiro traz o debate de seus temas de modo sensível, se tornando símbolo de representatividade para as minorias. Um exemplo disso é a atuação de Elliot Fletcher, ator transgênero que enfrentou as mesmas dificuldades e processos vivenciados por seu personagem trans, Aaron.
No quesito técnico, a trama apresenta tons quentes e vivos, com níveis adequados e certeiros de saturação e temperatura, seguindo a estrutura visual de sua abertura. Entretanto, os tons escurecem e prevalecem frios em momentos de tensão, como em cenas de acidentes no decorrer das temporadas.
O sucesso resultou na série derivada Good Trouble, lançada em 2019, que norteia o destino das personagens Callie e Mariana em Los Angeles. Isso mostra que ainda há espaço de discussão para debates de temas importantes, relacionando-os com os desafios das respectivas personagens na nova fase de suas vidas.

The Fosters é uma série que expõe assuntos muitas vezes mal direcionados ou até mesmo deixados de lado por outros trabalhos audiovisuais e conquista o público pelo modo em que conduz a sua narrativa. A criação de Bredeweg e de Paige é o exemplo ideal de diversidade, descoberta, representatividade e reflexão, deixando lições de vida para seu público parar, pensar e mudar certas atitudes que podem fazer a diferença no nosso cotidiano.


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